Meses atrás escrevi o texto abaixo e, como o caso Battisti deve ter um desfecho amanhã, decidi reeditá-lo, com algumas modificações, para aqueles que tivessem curiosidade de entender o que nos trouxe a essa situação ou que, assim como eu, conseguissem enxergar o ridículo por detrás de toda pendenga política, pudessem lê-lo antes do julgamento e, quem sabe, até se divertir com a história. Antes que fosse tarde. Afinal, amanhã o Brasil pode se tornar um país sério. Ui!!! Ouço essa ameaça desde criança, mas juro que agora sinto medo. De verdade.
Cesare Battisti é uma espécie de Ronald Biggs dos novos tempos. Suposto criminoso e dublê de ativista político cultuado pela intelectualidade parisiense, viveu na Cidade Luz por um longo e quase sabático período, publicando livros, degustando vinhos, até que um sujeitinho estraga-prazeres, um certo Nicolas Sarkozy - na ocasião ministro do Interior do governo de Jacques Chirac e candidato à presidência representando a direita alinhada a Silvio Berlusconi - decidiu cassar o status de refugiado político do badalado estrangeiro. Porém, em vez de entregar a César o que é de César, Sarkozy, talvez na esperança de que outros caminhos o levassem à Roma, não extraditou o sujeito, deixando-o sair à francesa, para escolher o melhor destino possível. Fazer o quê?! Mas o que chama mais a atenção nessa história é o fato de que, ao contrário do que a decadente impressa brasileira insiste em noticiar, o Brasil não é o único país do planeta envolvido com concessões de asilo político e proteções veladas a esquerdistas desvairados. Para os desavisados, porém, por mais bizarro que isso seja, essas reportagens soam como verdades irrefutáveis. Aquele papo tipo: “eu li na Veja”. Aff!!! Incrível como existe esse tipo de pessoa! Não é o caso de ninguém que me lê, espero. Sabemos ou, pelo menos, deveríamos ser informados da existência de muitos outros perseguidos políticos que, a exemplo de Marina Petrella, permanecem ao abrigo da "laissez-faire, laissez-passer".
Como se vê, estamos diante de um problema que não é absolutamente nosso e que, por esse motivo, o mais acertado, nesse momento, era o governo brasileiro colocar o cara num vôo direto para o Charles de Gaulle ou, quem sabe, até mesmo, a bordo do disputado jatinho de Eike Batista, para um aguardado reencontro com a sua protetora Carla Bruni. Isso mesmo. Embora negue, a primeira-dama francesa é tida como uma importante defensora de Battisti e não vai ser o maridão apaixonado (aquele mesmo que provocou o imbróglio) que iria estragar a alegria da moça.
De qualquer sorte, o certo é que esse caso já superou as instâncias política e jurídica, atingido - como, aliás, mandam as tradições francesa e italiana - o apogeu sexual.
Em suma: enquanto o tarado francês não sabe se agrada a mulher, com quem divide a cama, ou o político italiano, com quem compartilha ideias e ideais - César ou Cleópatra - o Brasil segue pagando a conta do motel.
Oie Lê! Agora sou mais uma leitora...
ResponderExcluirParabéns pelo brilhante texto.
Abç.
Carol (Escritório).