sexta-feira, 12 de março de 2010

As flanelas do amor

Não sei se alguém já reparou, mas as mulheres vivem um processo bem semelhante ao dos carros em busca de uma vaga para estacionar. Sabe aqueles sábados de sol rachando em que todo mundo decide ir à praia? Você pega o carro e inicia a tortuosa peregrinação de encontrar uma vaga. Sim é um exercício de paciência, de esperteza e de sorte também. O mesmo exercício, ou melhor, a mesma via crucis, que as mulheres precisam encarar quando decidem estacionar a vida afetiva delas. Qual é a realidade? São poucas vagas disponíveis e muitos carros sedentos por um espaçinho à beira das calçadas. Destas vagas, muitas, para não dizer a maioria, apresentam sérios inconvenientes. O local pode ser arriscado, proibido ou inseguro. O sol pode bater forte sobre o vidro do carro. Mesmo assim - pasmem - essas vagas serão preenchidas. Basta a motorista ser um pouco mais consensiosa e, pronto, se satisfaz em poder estacionar o carro ali mesmo. “Melhor do que ficar na pista”, elas pensam. A grande questão é que, enquanto você não estaciona, a tendência é a quilometragem ir aumentando. Isso porque, a menos que a pilota desista e volte para casa, ela ficará rodando em círculos, dando voltas pelas ruas, passando várias vezes pelos mesmos pontos e revivendo experiência nem sempre agradáveis. Aquela situação de chegar meio segundo depois da vaga ter surgido e de já ter alguém na sua frente ou, então, de ser atropelado por outra motorista, que joga o carro dentro da vaga no instante em que você se distraiu. Outra estratégia para aquelas que querem estacionar a todo custo é a de bater ponto na frente de uma vaga até ela liberar. Trata-se de uma tática bem agressiva, concordo, mas que - vamos combinar - é bastante comum e, pelo menos, na praia, para aquelas pessoas determinadas, costuma funcionar.
É possível escapar dessa armadilha? Não. Você até pode ir à praia de taxi, a pé ou de bike, mas, certamente, não tem como deixar de pilotar o seu coração. Bom e aí, amiga, no dia em que o motor começar a esquentar e o combustível a acabar, você vai querer dar um tempo encostada em algum paradeiro, de preferência tranquilo e seguro, e aí, nessa hora, é torcer para a sorte te agraciar com uma vaguinha na sombra ou se conformar em se ajeitar, da melhor maneira possível, naquela fatia que lhe cabe no asfalto.